A nostalgia é uma arma contra a inércia se for bem utilizada. As palavras beberam do tempo e tornaram-se mais maduras enquanto os caminhos eram percorridos. Enquanto o terreno fértil em sonhos era pisado de forma antagónica, as mentes caminhavam por cima do manto amarelo de árvores semi-nuas. As folhas caídas são a calçada destes pés frios. No rosto encontra-se os sinais dos últimos invernos. O jovial dá lugar à experiência e ao bom senso. Por dentro do rosto, a pessoa tornou-se mais jovem, menos razoável e cada vez mais insana no seu núcleo. Mais uma vez o paralelismo dos seres grita de razão e ri-se a plenos pulmões (se os tivesse). A calçada amarela converge com outra similar. O corpo sofreu algumas alterações naturais mas o sorriso relembra imediatamente quem é. O músculo vermelho atrás do esterno conservou-se grande e puro, como que se não tivesse data de validade. Os anos agora parecem poucos segundos, o filme estava em pausa e alguém carregou no botão com uma seta solitária no telecomando. Um mau símbolo para o momento produzido por um par, talvez o “fast-forward” fizesse mais jus agora, mas nenhum quer velocidade.
Carrega no botão de pausa, daqui a nada o filme acaba e eu quero relembrar este plano perfeito.
